Ecológica era a sua avó

Minha avó Lourdes é a minha musa inspiradora. Por mais que me esforce para promover a sustentabilidade, acho que nunca chegarei aos pés dela. Quando eu era criança, ela morava lá em casa. Cresci vendo a vó fazendo colcha de retalhos e bonecas de pano para a família. Já vi muito retalho que eu jogaria fora virar tapete nas mãos dela. Na cozinha, nem se fala: além de cultivar hortaliças, ela separava as cascas de alimentos para adubar as plantas. Até hoje ela separa algumas sementes para torrar e reaproveitar os alimentos o máximo possível. Às vezes os netos pegavam no pé dela pela mania de reaproveitar as embalagens até demais. Encontrar a margarina na geladeira, por exemplo, era um grande desafio. Eu me lembro que abria o pote e encontrava arroz, feijão, metade de uma cebola… a margarina mesmo eu só conquistava na quarta ou quinta tentativa. Por que ninguém etiquetava a embalagem, afinal? Bom, isso eu não sei. Só sei que hoje a minha geladeira é muito menos lúdica e a minha produção de lixo é muito maior. Qualquer dia eu faço uma entrevista com a vovó aqui no blog, mas adianto que os livros de cabeceira dela eram “O poder de cura do limão”, “Os super poderes da couve”, “as grandes façanhas da beterraba” ou algo do tipo. Na verdade os títulos não eram esses, mas se existiu alguma série “O poder das frutas”, a vovó leu boa parte dela. Todo dia ela fazia um suco diferente e contava uma história sobre a importância de cada nutriente no organismo. Enfim, nessa época eu comia pão caseiro, bolo da vovó e pouca comida congelada. A produção de lixo lá em casa era menor, apesar do discurso ecológico não ser tão evidente quanto hoje. Mesmo com esse saudosismo todo, não acho que o certo é abrir mão do suco de caixinha, da comida congelada e toda a praticidade conquistada nos últimos anos. Não faço parte do time que enche a boca pra dizer “naquele tempo…” – seria uma hipocrisia dizer isso, até porque tenho apenas 27 anos. Faço parte do time dos que confiam no potencial humano de encontrar soluções para o impacto que essas novas invenções promovem. Afinal, ecológica não pode ser somente a avó: o filho, o neto, o bisneto, cada um deve fazer a sua parte.

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1 Response so far »

  1. 1

    Cléri said,

    kkkkkkkkkkk
    muito boa!!!!!!!!!!!!
    muito bem observado Aninha!!


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